Crônica - O Maio mulher - Manoel Messias Pereira


Maio mulher

Já estamos em maio, o quinto mês do ano. E a palavra tem origem na cultura greco romana. Na Grécia antiga lembramos a deusa Maya a mãe de Hermes. E Hermes o mensageiro que ligava o ser humano aos deuses. Assim como os negros tens o Exu, que é o mensageiro entre o seres humanos e os deuses africanos ou orixás. Mas também na cultura grega é o período dedicado a Artêmisa a deusa da fecundidade. Já na cultura romana lembramos a deusa Bona Déa da fertilidade, o mês dedicado a deusa Flora a deusa da vegetação. E vale informar que no antigo regime francês havia um costume  de plantar o maio a árvore em homenagem a alguém.

Porém a nossa cultura é tida como Judaica/cristã. E o cristianismo teve em Roma o seu crescimento e por muito tempo o catolicismo foi a ideologia dominante com o seu teocentrismo em toda a Europa Ocidental, com a Igreja Católica Apostólica Romana. E também o catolicismo teve presença na Europa Oriental com a Igreja Católica Ortodoxa Antioquína Grega. E nesta denominação cristã católica vemos atribuído o mês de maio a figura de Maria a mãe do redentor, Jesus Cristo.

A Igreja Católica resolveu dedicar esse mês em honra de Maria, a virgem mãe de Jesus, considerado Deus que se fez homem e habitou entre nós. Na Idade Média o dia 1 de maio era considerado o apogeu da Primavera. As paróquias costumavam rezar no mês de maio a oração diária do Terço e muitos preparam um altar especial com um quadro ou imagem de Maria. Trata-se da tradição da coroação de Nossa Senhora. A coroa era repleta de flores, que representa a virtude e a beleza de Maria. E a ideia é de que os fiés devem esforçar para imitar e ter essas virtudes.

Embora nascido numa família de afros descendentes, vi a minha mãe migrar-se de cultos em cultos até fixar-se na Umbanda. Mas nunca vi a minha mãe abandonar as orações para a Santa Maria, que ela passou a chamar de Yemanjá. E sempre ela rezava as 18:horas, diante do pequeno altar.

Esse mês foi chamado por muitos de mês das mães, mês das mulheres, e um mês em que muitas pessoas realizavam o seu matrimônio, recordo que casei neste mês. Num momento de pleno silencio entre eu minha esposa, poucas gentes da minha família e alguns amigos, de movimentos sociais ou de músicas. A ideia que tinha de um relacionamento amigável destinado a estar com o próximo, sempre que necessita desfaz exatamente, no contexto da formação de minha família, muitas pessoas, não são tão solidárias no casamento, esquecem de compartilhar o momento feliz que você passa a desfrutar quando encontra o amor.

Mas quando lembro disto, recordo a fala do meu ídolo inesquecível John Lennon que conta que o seu segundo casamento foi extremamente romântico, foi de paixão. E ao som da Ballad of John and Yoko, um pequeno sonho ensolarado, e ele vestia-se calças gelo com um paleto branco e Yoko estava toda de branco. E o seu ato ativista em nome da Paz foi na cama em Amsterdan, depois do casamento.

O interessante que para o princípio da família a mulher encontre o seu par, pois não há Deus, para engravidá-la e sim o homem. Na filosofia vedanta há um fragmento em que traz a imagem de um homem num pequeno barco numa tempestade. E a mulher vai ter que acompanhá-lo, levantado numa espumosa crista d'uma onda que levas até ao abismo final da existência. mas por ora fica rodando a merce das boas e más ações. O ser é completo e sujeitos a todas a intemperes da existência.

Noutro fragmento vedanta vamos entender que todo o objeto de seu sistema é por meio de lutas constantes que chega-se a ser perfeito, chega-se a ser divino. chega a deus, vê esse Deus. E o dever é amar o amor por amor. E a felicidade é gozar a consciência destes pequenos corpos, que deve ser maior a felicidade de gozar em dois corpos.

A ciência ensina que devemos sempre chegar a uma unidade, até ao momento de chegar a uma meta. E os seres humanos precisam descobrir a única vida num oceano de mortes. Parece que o filho de Maria na Igreja católica disse eu sou o Caminho, a verdade e a vida ". E ninguém vai ao pai senão por mim, e isto está no velho testamento em João 14:6.

O ser humano é um ser social historicamente formado no seu meio, mas há quem diga que ele também é um ser transcendente, invencível na capacidade de recuperar seu destino. E o isto o que ensina o camarada francês Roger Garaudy. Mas encontramos na obra de Friedrich Nietzsche a figura de Zaratustra que questiona quem crou a aurora e quem criou a noite. Na minha simples convicção eu acho que o homem cria o seu dia como dizia Vinícius de Morais "O cal do meu dia, fiz cimento da minha poesia e na perspectiva da vida futura ergui em carne viva a sua arquitetura. quanto a noite o poetinha num fragmento de seus textos escreveu "levai-me para o campo das estrelas, entregai-me depressa a lua cheia, dai-nos o poder  valoroso dos sonetos dai-me a iluminação das odes, da-me o cânticos dos cânticos.

Assim vejo o mês de maio de tantas canções  e poesia, de tantas orações e magias e de tantos sonhos de amor. de tando desejos reprimidos. E lembro de Mario que desejava só ser Maria, como a filha de Ana Navarro, que descobriu o problema de sua tímida filha que até o momento estava e teria sido tratado como menino, e o que ajudou-a, foi o artigo da psicóloga   Africa Pastor da Fundação Daniela com apoio da associação Grysallis, e contou com a ajuda de dois juízes do registro civil de Valência. e isto foi noticiado em 2 de maio de 2016, dia em que Mario pode ser chamado de Maria.

Esse é o momento em que refletimos sobre um mês em que lembramos de nossas mães, a mulher que é o nosso princípio de todas as energias cósmicas. O indígena fala da mãe terra que precisamos cuidar, mas essa mãe terra que engravida, assim que semeamos amor e nasce harmonia, na suavidade das chuvas, na grandeza do mar. Ela é a plataforma que dá ao mundo luzes. E que permitem-nos respirar emoções.


Manoel Messias Pereira

poeta
Membro da Academia de Letras do Brasil - ALB
São José do Rio Preto-SP. Brasil





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