Artigo - O trabalhador brasileiro - Manoel Messias Pereira



O trabalhador brasileiro

O mundo do trabalho no Brasil, nunca foi de flores e de benças dos céus, mas sim de luta, de sangue, de desrespeito ao trabalhador, de baixos salários, de uma exploração desumanizada e sem trégua, de plena tortura inclusive legal. E os primeiros seres humanos a seres submetidos a essa degradação de forma formal foram os indígenas e depois os negros. E neste contexto não podemos esquecer da questão de gênero tão bem definido no processo de exploração social pela qual o Brasil sempre submeteu o seu povo.

A elite dominante por muitos chamados de classe senhorial era formada por grandes proprietários rurais e que formavam a aristocracia brasileira. donas de terras de cabeças de pessoas escravizadas essa elite era a senhora de amplos poderes sobre todas as pessoas, com um domínio que extrapolava os limites de suas propriedades e com uma palavra que tinha força e poder de lei. E ainda hoje no Brasil é comum vermos pessoas afirmar "sabes com quem está falando?". E contestar a elite era um abuso imperdoável. E essa elite sempre teve o poder simbolizados pelas Câmaras municipais. Era um regime patriarcal e todos os familiares, e agregados e pessoas escravizadas estavam submetidos a subordinação, na qual o ser humano masculino desta elite sobre os escravizados tinha o poder e a força de inclusive determinara a vida e a morte de seu escravizado.

E neste contexto a mulher além de estar sujeita a tudo isto, ela estaria sempre subordinada ao homem e tinha que obedecer cegamente suas ordens e caprichos. A mulher da elite tinha sim que casar entre os quinze e dezessete anos, e ela era apenas um objeto e sua vida era troca de favores políticos. Já as mulheres escravizadas eram submetidas  a verdadeira depravação, em que os membros da elite, ou seus senhores,submetiam-as a perversão e ao sado masoquismo, numa relação de violência e e promiscuidade.

De princípio o indígena foi submetido  pelas forças das armas a um trabalho escravo num sistema até então desconhecido por ele, o do trabalho escravizado. E há quem diga e está registrados em livro da história do Brasil que em São Vicente o indígena foi escravizado até fins do Século XVII, e no Pará e no Maranhão até fins do século XVIII, portanto a ideia de que o indígena não serviu ao regime escravocrata no Brasil é uma falsificação histórica.E o índio assim como o negro também reagiram a essa violência imposta porem a estrutura econômica, politico militar do homem branco determinou quem aqui era o dominador e quem era o dominado.

Já no caso dos negros quando observamos a história notamos que já no Século XVI o número de trabalhador provindo do continente africano superava os indígenas como mão de obra. E o negro assim como o indígena não tiveram escolhas. O que vemos nos livros didáticos que fala que o índio não aceitou tais e tais condições  de que o ser humano afro tinha condições superiores na mão de obra é tudo bobagem é  falseamento ideológico do branqueamento é estupidez pura. É falsidade e preconceito racial o que está exposto nos livros didáticos e de todas as editoras e de todo o currículo nacional.

A superação se deu por complexo de razões e saber, e isto está escrito no livro de Francisco de Assis Silva "as dificuldades para abastecer regularmente as zonas canavieiras de mão de obra indígena dada a dispersão do indígena pelo território brasileiro e a defesa dos indígenas feitos pelos jesuítas em relação á escravidão e ao roubo de suas terras". Foram razões que dificultaram as empresa agromanufatureiras do açúcar. E por fim o tráfico negreiro que se tornou altamente lucrativo e portanto acumuladora de capitais. O processo escravista com isto fazia-se necessário para manter o tráfico como uma atividade rentável ao comercio internacional. E além do mais Portugal passou a suprir algumas áreas da América espanhola com a escravidão de africanos.

Os trabalhadores de origem africana, foram submetidos a indescritível crueldade em termos de tratamento, os relatos são inúmeros e não esclarecem sobre a estupidez implementadas todos os atos contra a escravaria. E se recorremos a Antonil vemos que era comum os assassinatos, mutilações, açoites, correntes, palmatórias e outras práticas abomináveis, por exemplo estupro de crianças filhas das escravas.Gostaria daqui de dizer que é comum falarmos nos meios de historiadores, mas é preciso que o grande público saiba que Andre João Antonil foi um professor de retórica trazido no Brasil pelo padre Antonio Vieira em 1681, esse professor cujo o nome de batismo era João Giovani Antonio Andreoni, nascido na Toscana, jesuíta, formado em direito pela Universidade de Peruglia. E há informação de que exemplo de violência contra esses trabalhadores espanta a todos  até aos defensores dos castigos como Jorge Benci, (jesuíta)que acreditava que deveria ser racionalizado a tortura e os castigos, e questionava por exemplo  a ideia de queimar a pessoa, da arrancar orelhas, ou nariz, marcar no peito, ou no rosto com brasas. Pois com as torturas física e psicológicas a elite destruía assim a dignidade do homem negro que deveria aceitar a superioridade branca. E assim seguia com a inferiorização adjetivado pelo homem branco de que o negro era malicioso, vadio, preguiçoso. A superioridade do homem branco vai evidenciar neste conjunto de negação estabelecida sob o trabalhador brasileiro.

Na historiografia tradicional brasileira, elitista, heróica ha elementos para desfigurar a verdade, dai vem a ideia da passividade do negro (ideologia dominante) uma afirmação cheia de preconceitos a ideia da benevolência branca (outra falsificação histórica)

A reação do trabalhador afro-brasileiro ultrapassa os limites do tempo na busca por sua liberdade e chega aos nossos dias atuais, as várias formas do negro superar foi por meio do suicídio,guerrilhas, insurreições, assassinatos de feitores e senhores e as fugas individuais e coletivas que levaram a formação dos quilombos. E ainda hoje temos no Brasil partido político contra essas terra dos quilombolas, temos ainda hoje capitão de matos eleito na Câmara de vereadores da cidade de São Paulo, uma vergonha explicita  nos dias atuais. Procurarei não citá-los nominalmente pra não contaminar o meu artigos de gentes e organizações politicas   salafrárias,  essas imundices do mundo capitalista.

Por isto temos que sim realçar figuras como de Zumbi dos Palmares, que manteve a ideia da democracia direita, do pensamento da organização dos mocambos, da convivência entre negros, brancos e indígenas todos na mesma condição e no mesmo amparo social, e diferentemente dos pensadores liberais  basta lembrar que Zumbi viveu no mesmo período que Oliver Cromwell na Inglaterra, enquanto ele apregoava aqui a democracia lá eles conseguiram estabelecer a ditadura chamada de Protetorado, e que massacraram trabalhadores, tanto que os livros de história hoje falam da purificação dos niveladores e escavadores do parlamento e do exército, ou seja que eram filhos da s classes populares foram sim eliminados com assassinatos, ou seja saíram destes espaços usando para tal a morte deles.

Mas quando falamos de trabalhadores precisamos também lembrar da chamada classe operária e usando um pouco da expressão que adotamos dos movimentos europeus dizemos os proletários, as pessoas providas das barrigas das mulheres pobres para serem mão de obra e deixar a classe dominante mais ricas, mais abastarda. No Brasil essa classe vai ocorrer a partir dos últimos anos do Século XIX, ligada a um processo de transformações cujo o eixo foi a expansão da economia cafeeira. foi um momento em que profundas modificações ocorreram para o mundo capitalista como  a organização do sistema de transporte, nos serviços portuários, a exportação de café subiu consideravelmente. Houve o momento em que os trabalhadores negros foram retirados das fazendas de café e foram posto nas ruas e o poder passou a receber os imigrantes. Foi um momento em que o negro se viu ao Deus dará, e muitas vezes até a Igreja que deveria receber dizia que ele não tinha alma, e foi uma desgraça só. Somente nos tempos atuais temos alguns sacerdotes católicos comprometidos com o mundo do trabalho, talvez por conta do Rerum Navarum do papa Leão XIII ou dos seguidores de João XXIII, que trouxe as questões sociais para a luz da realidade na Igreja. Na formulação da Teoria da Libertação e das Comunidade Eclesiais de Bases.

E o imigrante  trabalhando  nas fazenda foi quase que um semi escravo, que muitas vezes ele trabalhava mas o que ganhava não dava pra pagar a despesa de sua comida e isto podemos até ver em filmes como o de Gaijin de Tijuca Yamazaki. A atividade cafeeira pode contar com o financiamento dos grandes bancos e que teve recursos pra mais tarde começar os fins industriais e o trabalhador brasileiro, passaram a surgir nas fábricas nas ferrovias, nas manufaturas de algodão, e passamos assim a ter uma política de exploração de mão de obra pelas elites agora industriais.

E a história do dia do Trabalho está em consonância com a luta de toda a classe laboriosa do Brasil e do mundo, pois em 1886 nos estados Unidos da América na cidade de Chicago, um grupo de trabalhadores reivindicava por melhores condições de trabalho e uma jornada que deveria passar de treze horas como era para oito horas, isto no dia 1 de maio de 1886, até que teve uma intervenção policial, e num conflito que envolveu trabalhadores e policia militar e provocando a morte de 8 trabalhadores, gerando uma revolta  que em 4 de maio de 1886 mais uma veze entrou em enfrentamento com as forças de segurança do Estado morrendo doze manifestantes por parte dos trabalhadores e sete policiais. e em reverencia a essas mortes a Segunda Internacional socialista cria no dia 20 de junho de 1889 o dia do Trabalhador que passou a ser comemorado em 01/de maio de 1890. e no Brasil essa data passou a ser comemorada em 1895 porém essa comemoração foi oficializada em 26 de setembro de 1924 após a criação do Decreto 4859 do presidente Arthur da Silva Bernardes. De 1930 a 1940 o presidente Getúlio Vargas passou a utilizar essa data para divulgar a criação das leis trabalhistas, entre as quais o salário mínimo e a criação da Justiça do Trabalho.

Esse nosso trabalhador brasileiro, quando observa as Centrais sindicais que quer fazer showzinhos, dar prêmios como se fosse festa de peão de boiadeiro, traz o artista sertanejos com apelos ridículos  e sem nenhum conteúdo respeitável ideologicamente, esvaziando as suas cabeças e retirando dos trabalhadores  a sua historiografia e o seu  real valor que há sobre o dia do Trabalho, que é um dia de luta de reivindicações de direitos, reivindicações de melhores condições de vida, e sabemos que o nosso parlamento é um vazio em relação a profissionais proletários, é mais fácil encontrar lá o fazendeiro, e os pastores como representante de um povo, não encontraremos entre os nossos deputados e senadores, nenhum pedreiro, nem um servente, nem um  cozinheiro, nenhuma empregada doméstica, nenhum pizzaolo, mas aquela elite sempre ri nas nossas custas sabemos que estamos alimentado-os e para ele a vida termina em pizzas.

 Enquanto isto o trabalhador vai sendo humilhado com um salário que parece esmola, com um serviço público de péssima qualidade, com atendimento médico em que muitos nem atendidos são, em uma escola vazia  de conteúdos parece mais um crechão de esfomeados muitas vezes com imobiliários sem nenhuma condição, com um teor de violência enorme, graças aos agravos de uma vida de miséria posta para todos os munícipes brasileiros, que alia o estágio de ignorância geral e continua votando num bando de salafrários que sabem fazer marketing em eleições mas governar que bom é realmente uma desgraça só. A estupidez a ignorância politica bem cristalizada.


Manoel Messias Pereira

professor de história, cronista, poeta
Membro da Academia de Letras do Brasil - ALB
São José do Rio Preto-SP. Brasil






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